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Após operação que levou secretário e servidores à cadeia, prefeito tenta conter crise e fala em transparência

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Dois dias após a operação “Águas Turvas”, que expôs o núcleo financeiro da prefeitura de Bonito e levou à prisão o secretário municipal de Finanças e outros dois servidores, o prefeito Josmail Rodrigues (PSB) reuniu sua equipe na manhã desta quinta-feira (9/10), em uma tentativa de demonstrar controle político e reforçar o discurso de transparência.

A reunião, convocada às pressas, aconteceu no gabinete do prefeito e contou com secretários e diretores municipais. Participaram nomes do alto escalão, como a vice-prefeita Juliane Salvadori, que acumula a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico, além de Jary Neto (Governo), Eliana Fregatto (Educação e Cultura), Madson Cunha (Obras), Ana Carolina Colla (Saúde) e Thyago Sabino (Meio Ambiente).

Durante o encontro, Josmail pediu foco e responsabilidade, afirmando que “a população precisa continuar recebendo serviços de qualidade” e que a gestão segue “comprometida com a legalidade e a boa aplicação dos recursos públicos”. O discurso, no entanto, ocorre em meio a uma das maiores crises políticas desde o início de seu mandato — uma crise que atinge o coração da administração: o setor financeiro.

Logo após a reunião geral, o prefeito se dirigiu ao setor de Licitações para reforçar a necessidade de “atenção técnica e responsabilidade”. O gesto tenta conter o desgaste de uma investigação que justamente mira supostas irregularidades nesse setor e que envolve pessoas de confiança de seu governo.

Com a prisão do então secretário de Finanças, Edilberto Cruz Gonçalves, o “Beto da Pax”, Josmail nomeou Elcio da Silva Casanova para responder interinamente pela pasta e designou Jander Claro Cruz para o cargo de tesoureiro municipal.

A prefeitura divulgou nota dizendo manter “o compromisso com a transparência e a responsabilidade na gestão pública”.

Apesar das palavras, a imagem da administração segue abalada, principalmente porque as prisões atingem figuras próximas ao gabinete e contratos de valores expressivos.

Operação “Águas Turvas” expõe suspeitas antigas

A operação “Águas Turvas”, deflagrada na última terça-feira (7/10), pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), revelou o que o Ministério Público chama de “um esquema estruturado para fraudar licitações de obras e serviços de engenharia” em Bonito desde 2021.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em Bonito, Campo Grande, Terenos e Curitiba (PR).

Além de Beto da Pax, foram presos o arquiteto Carlos Henrique Sanches Corrêa, fiscal de obras e proprietário da Sanches e Corrêa Ltda, e a gerente de Licitação e Compras, Luciane Cíntia Pazette.

A ação também teve como alvos o empresário Genilton da Silva Moreira, dono da Base Construtora e Logística, e o corretor de imóveis Luiz Fernando Xavier Duarte — este último autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, liberado após pagar fiança de R$ 2 mil.

Segundo o MP, as licitações eram “direcionadas por meio de exigências técnicas criadas para favorecer empresas específicas”, com contratos sob suspeita que somam R$ 4,3 milhões.

Genilton já havia sido preso anteriormente nas operações Velatus e Spotless, ambas em Terenos, também por fraudes em licitação.

A investigação, que atinge setores estratégicos da gestão, reacende o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle interno e a concentração de poder em poucos servidores de confiança do prefeito.

Enquanto a prefeitura tenta transmitir normalidade, o cenário político em Bonito é de tensão e incerteza. Parte da população e de lideranças locais cobra mais do que discursos — querem respostas concretas sobre como o dinheiro público foi administrado e de que forma a atual gestão permitirá que a verdade venha à tona.

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