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Casal apontado como elo de esquemas de corrupção faturou R$ 8,7 milhões em contratos com prefeituras de MS

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O casal de empreiteiros apontado como principal alvo da Operação Águas Turvas, que revelou um esquema de fraudes em licitações e contratos de obras públicas em Bonito, chegou a faturar R$ 8.750.382,95 em contratos com quatro prefeituras de Mato Grosso do Sul.

De acordo com levantamento feito pela reportagem, Genilton da Silva Moreira, que está preso, e a esposa Nádia Mendonça Lopes, atualmente em prisão domiciliar, possuíam cada um uma empresa: a Base Construtora e a Lopes & Lopes Construtora e Empreiteira.

O casal é investigado em duas operações recentes do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) — a própria Águas Turvas, em Bonito, e a Spotless, em Terenos. Segundo o Ministério Público, eles são suspeitos de manipular licitações e contratos de obras mediante o pagamento de propina.

As empresas, abertas em 2017 e 2019, eram registradas como microempresas, com limite anual de faturamento de até R$ 360 mil. Mesmo assim, o casal era considerado praticamente “imbatível” nas concorrências públicas.

Os contratos mais expressivos foram firmados com a prefeitura de Bonito. A empresa de Genilton manteve três contratos, que somam R$ 5.263.823,00. Já a de Nádia teve dois contratos no valor total de R$ 704.797,84.

Em Terenos, sede de uma das empresas, o casal firmou contratos que, juntos, somam R$ 2.386.877,63. Há ainda registros de serviços executados pela Base Construtora em Jardim, no valor de R$ 231.666,76, e pela Lopes & Lopes em Deodápolis, no total de R$ 163.217,72.

Até o momento, apenas os contratos com Terenos e Bonito são alvo das investigações. Em Bonito, o prefeito Josmail Rodrigues (PSDB) exonerou os servidores envolvidos e suspendeu os contratos mencionados no inquérito.

Servidora pediu “brinde” a empreiteiro investigado

Uma das pessoas presas na operação, a diretora de licitação de Bonito, Luciane Cíntia Pazette, é acusada de ajudar Genilton em licitações no município. Segundo o Gecoc, ela chegou a pedir um “brinde” ao empreiteiro, que, segundo as mensagens interceptadas, seria “para fazer política” para o marido, o vereador Pedro Aparecido Rosário, o Pedrinho da Marambaia.

As conversas mostram que, no dia 3 de maio de 2022, Luciane enviou a Genilton um documento de licitação e escreveu: “Olha o valor.” Em seguida, o empresário pediu a planilha da concorrência, e a servidora respondeu que encaminharia assim que tivesse acesso.

O Gecoc afirma que a relação entre os dois era próxima e que Luciane atuava para beneficiar o empresário em processos licitatórios. “As evidências demonstram que a servidora agia para atender os interesses do empreiteiro nas licitações e na execução das obras contratadas”, diz trecho do relatório.

Procurado pelo Jornal Midiamax, o vereador Pedrinho da Marambaia disse desconhecer os pedidos feitos pela esposa e afirmou confiar na inocência dela. “Pessoa correta, trabalhadora, levava serviço até para casa”, declarou.

Nádia vai para prisão domiciliar

Preso na Operação Spotless, o casal também é alvo de apurações em Terenos. Nádia, que foi detida na primeira fase da operação, ficou apenas alguns dias na prisão, sendo liberada para prisão domiciliar a fim de cuidar dos filhos pequenos.

De acordo com o Ministério Público, ela participava de reuniões com outros empreiteiros para combinar propostas e decidir quem venceria licitações no município. Em uma das conversas interceptadas pelo Gaeco, Nádia chegou a comentar que apresentaria uma proposta 1,5% mais baixa que a de outra empresa em determinado processo.

Os investigadores apontam que ela teve acesso antecipado a documentos e valores concorrentes, agindo ativamente para fraudar licitações públicas.

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